15.3.16

Das coisas que eu nunca digo... - #01 - Vamos falar de assédio?

Nota: Essa tag surgiu de um tema de blogagem coletiva do Rotaroots, e a idéia estava largada no limbo de alguma página do meu caderno de idéias. Não me recordo de que mês seria ele, mas resolvi resgata-lo para publicar e resolvi torna-lo uma tag fixa, somente fazendo uma pequena alteração no título. Então com certeza, essa tag será de postagens totalmente pessoais em tom de desabafos sobre assuntos pertinentes... Afinal, desabafar as vezes é preciso, né?

E para inaugurar a tag nova...Vamos falar de Assédio?

O Dia Internacional da Mulher já passou, mas ainda é março, Mês da Mulher. Por isso, acho então que uma reflexão sobre as desventuras de ser mulher nessa vida ainda é válida, né?

Das Coisas Que Eu Nunca Digo #01 - Assédio

E se preparem que lá vem textão....

Acho que quem conhece meu blog, vai estranhar esses posts mais pessoais, né? Esse tema nem estava planejado para esta tag, mas achei oportuno desta vez juntar a vontade de fazer meus desabafos de vez em quando, com a vontade repentina de querer escancarar pro mundo sobre os meus sentimentos e pensamentos sobre assédio, que surgiram hoje de uma coisa totalmente aleatória: fui abrir meu perfil do LinkedIn e quem usa a rede sabe, você consegue saber quem andou visualizando seu perfil. E numa dessas, apareceu um cara que se eu puder nunca, MAS NUNCA MESMO, nunca mais olhar na cara, eu agradeceria eternamente. Gelei por dentro e um certo pânico tomou conta como se realmente eu tivesse visto um fantasma. E vi, literalmente.
Não é a primeira vez que ele tenta se aproximar pelas redes sociais, vez ou outra ele reaparece, e apesar de eu sempre ignora-lo, o sentimento que brota com o simples fato de me sentir "stalkeada" é de nojo.

O motivo para todo esse pânico? Anos atrás, fui vítima de assédio por parte deste cidadão, mas por medo, vergonha e até por achar que a culpa era minha, me calei. Para não dizer que não contei a ninguém, somente duas únicas pessoas ficaram sabendo, e nem para os meus pais mesmo eu contei, mas enfim... naquela época o assunto nem era tão discutido como é hoje e acabou ficando por isso mesmo. 

Acho que o fato de ter tido um relacionamento longo por um período da minha vida, me deixou um tanto quanto ingênua no quesito "como devo me relacionar com o sexo oposto?" quando me vi fora dele. E uma das questões que me deixou um pouco encucada após esse incidente traumatizante e algumas outras experiências que tive depois, tem a ver com um velho tema clichê que frequentemente também é discutido: Mulheres e Homens podem ser só amigos, sem que role interesse de qualquer um dos lados? 

O motivo dessa associação de assuntos, é por que esse cidadão que me assediou se dizia meu amigo. E realmente, parecia que eu podia confiar nele, até ele dizer que era apaixonado por mim e mostrar quem realmente era depois de eu recusa-lo. Por isso depois do incidente - que eu preferia esquecer - confesso que fico desconfortável quando começo a perceber que algum amigo possa estar interessado em mim e a recíproca não é a mesma. Porque me bate um certo pânico e não sei como agir, fico com medo de magoar a pessoa, ainda mais se pra mim ele se torna um amigo querido. Mas somente isso, um amigo. E a última coisa que você quer é magoar alguém assim e passando por essa experiência mais de uma vez, eu sempre me questionei: Poxa, mas será que não é possível existir uma amizade sincera, sem interesse nem culpa? Será que a maioria dos que dizem que não, estão certos? Pois isso faz me sentir muito culpada, quando sei que não fiz nada para me sentir assim, afinal não posso mandar no sentimento dos outros. Nem no meu.  

Bom, mas não vou explanar muito por ora, afinal isso é assunto pra outro post....

Mas voltando ao foco... esse pânico que me bate também acaba causando um certo medo de que de tudo possa se repetir. Todo o pavor e nojo que eu senti, não desejo para ninguém. O tempo passa, mas o trauma fica. Nunca mesmo contei o que aconteceu para mais ninguém - e não me peça detalhes, por favor, porque escrever tudo isso já está sendo até muito - mas agora que abri essa gaveta da minha vida publicamente, posso dizer que sei como é horripilante a sensação de achar que você pode ser estuprada. Graças a Deus - e ao meu Anjo da Guarda também - isso não aconteceu, mas não quero sentir isso nunca mais. Muito menos viver com o sentimento de humilhação e culpa que ficam.  

Ah, e fazendo um adendo: antes que digam que posso estar generalizando essa questão de amizade entre homem e mulher... Não! Não estou generalizando nada. Só estou expondo os meus sentimentos em relação à isso, baseada nas minhas experiências. Não estou dizendo que nunca mais terei amigos homens ou que todo amigo homem tem algum interesse na sua amiga, somente que é algo que pode acontecer. É muito relativo. Tirando esse episódio desagradável, nas outras experiências que tive nesse assunto não rolou nenhum tipo de assédio, mas se querem saber da real, também não terminaram de forma feliz. E me entristece até hoje isso.
E depois, o assédio e a violência contra a mulher muitas vezes podem vir de onde menos se imagina.

Acredite, não é uma coisa fácil falar sobre essas coisas para o mundo, pois além do sentimento que volta na lembrança, sempre vai ter alguém para julgar e dizer que fui muito ingênua e boba ou que eu dei mole pro cara... Mas acho que respeito às mulheres e também respeito pela opção da outra pessoa não querer namorar/ficar/ir para a cama com você não deveriam ser problemas, muito menos que a falta disso na vida desse cidadão devesse ser culpa minha. Não justifica. 
Dessa vez precisava falar, pois um misto de sentimentos ruins começaram a tomar conta e acho que só colocando tudo para fora mesmo eu me sentiria menos sufocada. E quer saber? Chega até ser libertador de certa forma... 

Não sou a maior defensora das causas feministas, aliás, sendo sincera, prefiro nem me meter no meio das discussões pelas redes sociais, pelo simples fato de odiar ficar discutindo e me estressando mais que o necessário. Pode ser covardia da minha parte, e até pelo fato de já ter passado por essa experiência eu deveria ser mais inteirada. Mas não é por isso que deixo de apoiar a causa, e acho que o mínimo que eu posso fazer neste momento expondo minha experiência, seria pelo menos deixar um conselho: Mulherada, NÃO SE CALEM diante de violência ou assédio sexual contra as mulheres! Mesmo sendo difícil, peça ajuda, denuncie, esperneie, grite. Mas jamais sofram caladas e sozinhas. 

Porque até quando teremos que aguentar coisas como essas? 

E você? O que não aguenta mais ouvir?
Publicado por Empodere Duas Mulheres em Terça, 8 de março de 2016


Um comentário:

  1. Tathy, não tinha visto este post na época em que você publicou.
    Admiro sua coragem de reviver essa história e compartilha-la conosco.
    Já caí nessa de gente meio stalker, mas não chegou a ser tão grave como o que você descreveu.
    Estamos juntas, vamos juntas! o importante é não abaixar a cabeça e seguirmos em frente :)
    Beijo,
    Cris

    ResponderExcluir

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